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2 August, 2012 Super User Blog



O modus operandi da equipa de conservação e restauro de mosaicos na villa romana do Rabaçal. Ensaios de conservação preventiva 

 A villa romana do Rabaçal tem vindo a ser escavada desde 1984, e desde esta data e em sucessivas campanhas foram postos a descoberto 250 m2 de pavimentos de mosaico, datados de meados do século IV d.C.. 



 A atitude adoptada foi a de conservar os mosaicos in situ e tentar encontrar soluções para responder aos problemas de conservação e restauro, nomeadamente o aparecimento de lacunas, fissuras, abatimentos, perda de limites originais, desagregação, concreções, desgastes, desnivelamentos, destacamento de tesselas, vacuidade, fissuração, falta de aderência ao suporte. O programa, apresentado na reunião de 2002 do ICCM em Salónica, assentava na premissa de se construir previamente um dispositivo arquitectónico que permitisse proteger a totalidade das áreas com pavimentos de mosaico. Uma vez protegidos, poder-se-ia remover a areia, avaliar detalhadamente os danos e iniciar campanhas de Conservação e Restauro sazonais obedecendo a uma perspectiva global do conjunto preservado. Contudo, o projecto de arquitectura resultou numa tarefa mais complexa do que se poderia supor, uma vez que a sua implementação no terreno comportava questões técnicas e financeiras, difíceis de pôr em prática na altura. Entretanto, foi possível constatar que, apesar de preventivamente protegidos, os mosaicos continuavam a ser alvo de alguns danos, que a areia não permitia bloquear. Foi neste sentido que, em 1997, se fez o primeiro diagnóstico acerca da conservação dos mosaicos, na altura centrado no problema do crescimento de plantas superiores, que encontravam nas lacunas do tesselatum e na humidade da areia, nichos de crescimento preferencial. Outros danos e sequentes diagnósticos foram, entretanto executados, dos quais o mais expressivo seria o episódio de crioclastia observado em Janeiro de 2002. Atendendo às condicionantes apresentadas, entendeu-se ser pertinente reunir no local colegas, de âmbito internacional, cuja diversificada experiência profissional permitisse reflectir sobre os problemas e ensaiar algumas medidas de conservação preventiva.

A equipa de trabalho constituída por elementos com experiência em conservação e restauro de mosaicos, foi convidada a partir de contactos pessoais estabelecidos nos diferentes convénios internacionais frequentados por investigadores ligados à villa romana do Rabaçal. O projecto, dirigido por Miguel Pessoa e coordenado por José Lourenço Gonçalves, contou com a participação de Francesca Attardo de Florença, Verena Fischbacher de Avenches, Cetty Muscolino de Ravena, Claudia Tedeschi também de Ravena e Lídia Catarino da Universidade de Coimbra. 

No primeiro encontro, realizado em 2003, reflectiu-se sobre a eficácia da areia como dispositivo de protecção preventiva, sobre o modo como os mosaicos poderiam reagir a nova exposição prolongada e quais os requisitos necessários para traçar o projecto de arquitectura. Foi neste sentido que se realizaram algumas experiências sobre sistemas de protecção preventiva com areia, intercalada com geotêxtil e/ou com argila expandida, de acordo com diferentes estratificações. Realizaram-se, ainda, algumas experiências com diferentes ervicidas e, numa pequena área, ensaiou-se a exposição do tesselatum protegido com uma cobertura simples depois de previamente limpo e consolidado. Todas estas experiências foram monitorizadas ao longo de um ano e diagnosticadas de três em três meses. De um modo geral a monitorização demonstrou que a areia continuava a ser o sistema de melhor versatilidade e eficácia e que os ervicidas não afectavam particularmente os mosaicos. Por outro lado o mosaico posto a descoberto reagiu positivamente à exposição durante o ano. Em Julho de 2004 realizou-se um segundo encontro para apresentar os resultados da monitorização e, a partir destes, desenvolver novas experiências. Atendendo aos bons resultados da exposição e cobertura provisória, optou-se, neste ano, por realizar uma experiência análoga, numa área maior de outro sector do sítio.

No ano seguinte, em Julho de 2005, teve lugar o terceiro encontro para reflectir sobre os dados da monitorização feita ao longo do ano anterior e resolveu-se continuar o mesmo tipo de experiência noutras áreas da domus da villa

 Tem-se revelado muito importante o aconselhamento e o apoio continuado dos diferentes membros desta equipa, que na sua maioria, tem marcado presença no encontro anual, que se realiza durante o mês de Julho, no Rabaçal e tem mostrado em encontros nacionais e internacionais os resultados da monitorização, que está a ser feita in situ pela equipa permanente, que trabalha no Espaço-Museu do Rabaçal. Esta equipa de jovens arqueólogos tem formação específica na área de conservação e restauro e tem participado nos workshops internacionais, que se têm realizado neste espaço, desde 2003. 

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